DENÚNCIA

5 02 2011

testemunho e denúncia, fazendo minha parte.

Nesta última quarta – feira, 3 de fevereiro, embarcaram no mesmo ônibus que eu, linha 669A – Terminal Princesa Isabel, na região da Santo Amaro, quatro jovens menores e um homem. Os cinco passaram por baixo da catraca – coisa que eu também faria, R$ 3 a tarifa é um preço que nem todos pagam. Sentaram todos próximos ao cobrador. Me chamou a atenção é que o homem, que inicialmente pensei ser um deficiente clínico, falava alto, com uma voz grossa enrouquecida e metálica, dizia aos garotos e a todos do ônibus que quisessem ouvir assuntos tais que esclarecia muito bem que tipo de homem ele é: um aliciador, um pervertedor, o chefe de bando. Os garotos se divertiam muito com a narração dele, estavam claramente subalternos a ele.

O que me indignou, vendo e ouvindo coisas como: (chegando até a por um cigarro comum na boca e dizer acender) “Hoje você não vai fumar – mereceu, mereceu, mereceu (levando cascudos de todos na cabeça), falou que não ia fumar mais então é nóis quatro hoje”, (sacando da mochila uma garrafa de refrigerante – com outro líquido) “minha companheira tá aqui ó.”

Os cinco seguiam com o ônibus até ao largo do Arouche, soube porque ouvi o homem dizer que outros esperariam por eles lá. Me revoltava que, além de pensar nas possíveis formas que os meninos retribuiam a proteção, os favores e “presentes” do sujeito, ninguém ali aparentemente se incomodava com aquilo, se é que alguém do ônibus sequer ouviu o que falavam ali. A gota d’água foi quando ouvi os planos e programações, quais linhas de ônibus pegar para onde ir, desde lugares como Engenheiro Marsilac (região de Parelheiros) até locais centrais como Santa Cecília. Me veio à cabeça, onde estariam as mães e pais daqueles jovens, que não tinham nem 14 anos.

Interrompi minha viagem, anotei o número do ônibus, desci na esquina da Brigadeiro Luís Antônio com a Santo Amaro e liguei no disque denúncia. Imaginei que um policial poderia apreender o sujeito por estar acompanhando menores sem identificação, com bebida alcóolica e cigarros na mochila. Todos os atendentes estavam ocupados. Insisti por mais de 30 minutos entre espera e ligações malogradas. Me senti tão aviltada de meus direitos, tão revoltada diante da minha impotência! Faço a denúncia aqui, que outros como eu deixem de se omitir, parem de relevar, pensando que “não vai adiantar”, “isso não é nada perto disso e daquilo”, “o problema não é meu” e etc!

Estar em pleno direito de exercer a cidadania inclui a mais simples vigilância do não cumprimento de nossos deveres!

ESSE TESTEMUNHO NÃO É FICTÍCIO E A DENÚNCIA É MAIS GRAVE PELA OMISSÃO COLETIVA!