SAUDADE – I

21 07 2009

Saudade

Saudade é solidão acompanhada,
é quando o amor ainda não foi embora,
mas o amado já…

Saudade é amar um passado que ainda não passou,
é recusar um presente que nos machuca,
é não ver o futuro que nos convida…

Saudade é sentir que existe o que não existe mais…

Saudade é o inferno dos que perderam,
é a dor dos que ficaram para trás,
é o gosto de morte na boca dos que continuam…

Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade:
aquela que nunca amou.

E esse é o maior dos sofrimentos:
não ter por quem sentir saudades,
passar pela vida e não viver.

O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido.

Pablo Neruda

Natureza Morta

Prefiro, sempre dizer aos que amo que sinto falta, ao invés de dizer saudades. Saudade me pesa, me é indigesta. Disse minha vó, num gesto espontâneo associativo, que saudade é solidão. Sente saudade, por se sentir só, porque só o que passou preenche o vazio do agora. É fazer da lembrança alimento do porvir.

Aceitei o convite do futuro, tratei das feridas passadas e presentes e isto não foi um alívio, não diluiu o bloco denso, é que velar não significa esquecer, enterrar não implica em apagar.

Verdade seja dita, não sinto saudades, que entendo ser uma nostalgia, com melancolia e descrença. O que sinto é motivação, esperança! Não, não pode ser saudades. É um sentir falta, saber que passou, manter na memória a sensação, a vivência.

Não desejo saudade, nem mesmo as lembranças que ela contém, ficou um gosto de doce, que só a vó fazia. O doce só tem gosto especial pela memória construída, se comer de novo, perde a graça. Sigo sentindo falta do doce presente, recupero logo o apetite.