DERIVA COM EMBASAMENTOS

7 01 2009

O texto que segue é uma resenha da palestra que assiti do físico Luis Alberto Oliveira, sua tese é na verdade sobre a civilização à deriva como um todo. Particularizei o global, tirei parte do todo e claro, o sentido já não é mais o mesmo. Afinal, estou à deriva.

CIVILIZAÇÃO EM MUTAÇÃO

O palestrante discorreu sobre o momento mundial que estamos vivendo, o que ele representa e de onde provém esta situação “atípica consolidada” e para onde se encaminha a civilização. Luis Alberto Oliveira afirma, e eu temo em concordar, que o momento atual constitui uma crise consolidada, quase como uma revolução instituída. É como se dissesse: “eu luto, mas não sei quem é o inimigo, muito menos os ideais que defendo”. A massificação deixou diluídos os conceitos polarizados e polêmicos: se antes se tinha ou capitalismo ou comunismo, hoje temos coligações de partidos sem convergências ideológicas, muito menos afinidades partidárias; se antes tínhamos ou mundo desenvolvido ou subdesenvolvido, hoje temos a globalização, os países emergentes, miseráveis, sem saúde e educação, infra-estrutura sanitária, mas que tem poder de mercado para ter seu ipod, e ir no mínimo à lanhouse mais próxima…

No decorrer da palestra, Oliveira explana como essa crise, deslocada de sua essência – a crise é um fato raro para melhorar ou piorar algo, ou seja seu conceito é semelhante à criação – por sua constância engendra, somado ao desvio, uma mutação, uma mudança de era civilizacional, é um momento de transição. Tal mutação relaciona-se como o acaso, visto que é imprevisível pois gerado da crise instituída. Por sua vez o acaso, explicou Oliveira, fora classificado por Aristóteles, para compreender o mundo e seus fenômenos, em ignorância (se desconhece sua causa), coincidência (encontro de casualidades) e puro ou desvio (arranjos de unidades indivisíveis – átomo- mais vazio, que se chocam aleatoriamente). Pensando nesta última classe de acasos, a errância inerente das partículas instaura um mundo que se renova permanentemente a partir do desvio, portanto é imprevisível e aleatório, não tem começo, nem meio ou fim.

Esta errância aleatória renovando e mudando constantemente as relações estabelecidas está diretamente ligada à dobra ou à “deslinearidade”, ambos conceitos largamente abordados pelo palestrante. A matemática tradicional era entendida linearmente, ou seja, “o todo é a soma das partes”, isso significa que não há nada no todo que já não estivesse contido nas partes, mas como se explica quando isso não ocorre, quando uma mutação ocorre e o que se tem no todo não é em absoluto relativo às partes? Aí nos é apresentado a matemática deslinear, onde o todo não é a somatória das partes, mas produto de seus vários desdobramentos, suas errâncias. “ O comportamento sob certas regras, ao agir modifica as próprias regras e altera o próprio agente.” Como exemplo Oliveira citou a história dos lobos e coelhos, onde os coelhos são um meio para os lobos agirem sobre eles mesmos. A dobra, que pode ser entendida pelos sufixos sinônimos plica ( do Lat. ant., sinal na música, indicativo de ornamento melódico; prega; dobra; plicatura. e plexo (do Lat. fig., encadeamento; entrelaçamento).Exemplos: com-plica, im-plica, du-plica, com-plexo, etc. Os desdobramentos são como a deslinearidade, mas podem desdobrar sob eles mesmos. Os sistemas COM-PLEXOS são capazes de se indeterminarem, pois se desdobrou sem previsão de voltar à origem (à parte, à parte alguma do todo), transformando-se em processo serial.

Sobre o processo serial o palestrante deu um exemplo do efeito borboleta, que pequenas causas em série, numa equação: repetição, reiteração, acumulação e amplificação resulta num efeito muito maior do que linearmente, ou seja, torna-se-á imprevisível.

O momento atual que vivemos é, seguindo estes conceitos, um momento de transição da civilização, e mais, afirma Oliveira, o dobramento da civilização humana é através da tecnociência. Pensando os possíveis destinos da civilização, que são de fato imprevisíveis (e nunca deixou de ser – nisso eu discordo do palestrante), se o acaso e o imprevisível são regra, se estabelece o caos. O caos é a possibilidade, é a confusão de todos os elementos do mundo antes de formar um mundo outro, é então a origem desordenada que poderá reconfigurar e mudar a civilização, ser outra coisa para continuar existindo. Podendo assim propagar a espécie, ou não. Nosso papel é como meio, não como fim – somos então os coelhos, não os lobos…

Anúncios




SOBRE A DERIVA

7 01 2009

Eu tenho uma tese a respeito da deriva. Não tem embasamento teórico, científico ou acadêmico. Foram impressões deixadas nesse ano que passou, e nada melhor do que começar o novo ano falando do velho. O ser humano é retrógrado.

2008 foi o ano da deriva, para muitos, não me iludo com idéias exclusivistas. A minha deriva me levou para onde eu sempre quis ir. E não é porque quis, que elas chegaram até mim, é o acaso. Ele é muito mais do que simples acaso, o conceito não é raso nem vazio como se imagina. Mas disse que não tinha embasamento teórico, pois é, menti. Para não assustar, fato. Quem iria ler? O acaso é estudado desde os grecos… iiii olha a ladainha.

Voltemos ao passado recente, 2008. Minha tese sobre a deriva, sem embasamentos. Ela ocorre tão logo aconteça uma mudança de estado, saiu da inércia, entrou na deriva, companheiro. Uma vez na deriva, esta te leva através dos acasos para onde pretendia ir ou chegar. O caminho até lá, não tem lógica e é um caos, afinal à deriva nada se governa, é a anarquia.

Como tem embasamento teórico, teoria que não é minha, segue o texto embasado.