ESTATE

24 07 2009

Estate sei calda come i baci che ho perduto
sei piena di un amore che è passato
che il cuore mio vorrebbe cancellare

barquinhos

Estate il sole che ogni giorno ci scaldava
che splendidi tramonti dipingeva
adesso brucia solo con furore

dasrosas

Tornerà un altro inverno
cadranno mille petali di rose
la neve coprirà tutte le cose
e forse un po’ di pace tornerà

Sampaio Moreira

Estate che hai dato il tuo profumo ad ogni fiore
l’estate che ha creato il nostro amore
per farmi poi morire di dolore

Fotos: Tania Knapp





Começo do fim

8 03 2009

Eu agora sou feliz [jamelão e mestre gato]

Eu agora sou feliz

Eu agora vivo em paz

Me abandona por favor

Porque eu tenho um novo amor

 E eu não lhe quero mais

 Esquece que você já me pertenceu

Que já foi você meu querido amor

Aquela velha amizade nossa já morreu

 E agora quem não quer você sou eu

 Eu agora sou feliz

 

Tudo acabado [heitor dos prazeres]

 Tudo acabado entre nós

Meu amor, francamente

 Quem lhe diz sou eu

O meu coração tudo já esqueceu

 E você para mim morreu

Nem sequer por maldade

A tal saudade ficou em mim

 Hoje eu vivo cantando

E você chorando

O mundo é assim

 

Ouvindo por acaso essas duas músicas na sequência percebi que o fins de relacionamento são dissimulados. Os motivos, se existem são suprimidos por acontecimentos externos: um novo amor, o fim do amor antigo. É como se assumir o fim tal qual, significasse a perda efetiva, mas se o fim é efeito de uma causa externa, as responsabilidades se diluem, dissipam. “Eu agora sou feliz” por exemplo, o esforço todo é de nos convencer que a relação até então não tinha acabado e tudo mudou quando se tem um novo amor. Nas entrelinhas percebe-se que não é bem isso: “me abandone por favor” é um pedido um tanto atípico para alguém novamente apaixonado e que está feliz, no fim, “e agora quem não quer você sou eu” demonstra uma vingança inútil de revidar a rejeição, substituindo o abandono por um novo amor e portanto a relação muito antes já estava perdida. “Tudo acabado” na mesma toada e muito mais evidente mostra a dissimulação: “tudo acabado entre nós meu amor, quem lhe diz sou eu”, a leitura inicial pode dar a entender que deu a volta por cima, resumido em “hoje vivo cantando”. Porém é nesse começo que paira encoberto a negação do fim a tal ponto em que não é mais possível dissimular, e então cinicamente diz, “não, eu é que não quero”.

A dificuldade talvez seja de assumir para si mesmo que acabou, localizar isso no tempo, nas ações fica ainda mais difícil quando se está apaixonado. E como termina um relacionamento? Infelizmente essa natureza não é tão direta na simbologia e em seus significados como a pontuação: “Está tudo acabado!” “Não te amo mais.” O ponto final encontra percalços e obstáculos para manter-se firme. Talvez caiba dizer que fins de relacionamento são processuais, no gerúndio sentimental: “está terminando”, “estou te esquecendo”; até que um dia se constate o fim e ele fica associado a algo externo para quem sabe assim torná-lo estático, podendo definhar no tempo. O artifício do cérebro conta com isso para que as lembranças, presas a uma cronologia, tenha um fim específico: “foi quando conheci Fulano”, “no dia que ela não voltou para casa”. Quem se engana com isso? Bobagens! A verdade é que o fim acompanha o começo, e por vezes algo termina antes mesmo que tenha começado. Como se o começo e o fim, o lobo e o carneiro, fossem indissociáveis. Se o lobo não estiver bem alimentado, vai devorar o carneiro. O início de um relacionamento se extingue quando o fim torna-se enorme.