A DANÇA DO MAIS FORTE

17 04 2009

cartaz

Fotos divulgação – http://www.dancacontemporanea.com.br

Assisti na semana passada o espetáculo de dança “O animal mais forte do mundo” criação e pesquisa dos dançarinos Ana Catarina Vieira e Angelo Madureira. Se não foi com espanto que vi a dupla, agora acompanhada de outros quatro dançarinos, foi porque estou acostumada a me deixar surpreender por esses dois corpos dançantes que exploram a estética não tão apenas do corpo, enquanto matéria e sentidos, mas como do corpo – corpo, corpo – vazio, corpo – espaço, corpo – alma. A estética é de um conjunto, de pesquisa da dança popular brasileira, que remete à cultura, do trabalho cenográfico e quase teatral da dança (isso foi evidenciado pela primeira parte da triologia “O nome científico da formiga”), do questionamento do artista, da presença da música. O resultado, em síntese, é uma movimentação que se baseia nas danças populares brasileiras somada a um trabalho autoral de dança contemporânea.

caindo

Descobri a dança com esta dupla, percebi que o corpo vai além de sua extensão, e na dança isso se torna evidente, não é só o pé que gira, ou a mão que espalma e fausteia, nem os braços que enlaçam, cruzam ou expandem abertos. A dança é um pulsar individual, intra-corporal que de repente explode! Já ouvi uma vez que a definição de dança é o equilíbrio em desequilíbrio, e isto Ana Catarina e Angelo fazem com maestria. Quer desequilíbrio mais belo que o frevo? O cai-não-cai-caindo-não cai. Agora imagine explorar o frevo, o cavalinho e outras tantas danças variadas em movimentações, com suas histórias e raízes, num ultra-contexto, ou seja, um contexto que está além dessas raízes, pois estão reinterpretadas, porém não se descolam, não abandonam a tradição popular.

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tensao

O espetáculo que vi, diante dessa breve apresentação um tanto pobre comparado ao trabalho deles, é de uma força e intensidade tremendas, impossível sair da apresentação da mesma maneira em que se entrou. Há uma narrativa não linear em que os corpos costuram uma trama. Eles  empurram enlaçando-se, carregam rastejando, levitam pesados e unem-se solenes. A violência é perceptível em grande parte da apresentação, bem como o sofrimento, também o esforço de sobreviver, a competição, o duelo e a guerra. A dança é forte e os movimentos controlados. O ritmo alterna do absoluto silêncio tensionado até um pulsante frenesi do chão ao ar. O ápice vem com composições quase pictóricas de planos sobrepostos, corpos confundidos e enquadramento em desequilíbrio.

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empurra-pula

puxa

pula-cai

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composicao

Não adinta tentar traduzir a dança em palavras! Desisto. Mas insisto e sugiro que aproveite o espetáculo, amanhã e depois na Galeria Olido, no centro, ou semana que vem no Espaço Crisantempo, na vila Madalena.

FICHA TÉCNICA

Criação, pesquisa de linguagem e coreografia
Ângelo Madureira e Ana Catarina Vieira

Direção
Fernando Faro

Direção de ensaios e preparação corporal
Ângelo Madureira e Ana Catarina Vieira

Direção técnica
Juliana Augusta Vieira

Iluminação cenográfica e figurinos
Juliana Augusta Vieira

Assistente de ensaios
Karime Nivoloni

Elenco
Ana Catarina Vieira, Ângelo Madureira, Ana Noronha, Carolina Coelho, Eduardo Fukushima, Karime Nivoloni, Luiz Anastácio.

Edição e gravação da trilha sonora
Ângelo Madureira

Sonorização
Fabio Luchs

Pintura nos figurinos
Fabiana Fukui e Juliana Augusta Vieira

Técnico de luz e som
José Alves da Horta

Técnico de luz
Marcos Santos

Serviços Gerais
Neu Fenelon

Secretaria
Mônica Garcia

Fisioterapeuta
Maria Vargas Lustig

Assessoria de Comunicação
Acacio Morais`d

Assessoria Internacional:
Gabriela Gonçalves

Projeto gráfico e diagramação
Gilda Lima

Foto
Heudes Regis

Cabelo – Allure Hair
Marcos Yamazato

Administração
Juliana Augusta Vieira

Produção Executiva
Iara Maria Vieira

Direção Geral
Ana Catarina Vieira

Agradecemos a todos os nossos parceiros e apoiadores, e aos amigos de sempre.