Desenho – Igreja Lelé em Salvador, BA
24 01 2010Comentários : Deixar um comentário »
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NOVENA DA VIDA
20 01 2010A VIDA
ACALMA
A MORTE
AGITA
ALÉM
GRITA
A ALMA
REPITA
ÁVIDA
A CALMA
AMOR TE
AGITA
ALÉM
GRITA
A ALMA
REPITA
ÁVIDA
A MORTE
ACALMA
A GITÃ
ALÉMGRITA
À ALMA
REPITA
ÁVIDA
ALMA
ACALMA
A MORTE
AGITA ALÉM
GRITA
AAAAAAAA
REPITA
A VIDA
A CALMA
A MORTE
A ALMA
AGITA
ALÉM
GRITA
REPITA
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Categorias : poesia
Saudade III
13 01 2010A UM AUSENTE
Tenho razão de sentir saudade,
tenho razão de te acusar.
Houve um pacto implícito que rompeste
e sem te despedires foste embora.
Detonaste o pacto.
Detonaste a vida geral, a comum aquiescência
de viver e explorar os rumos de obscuridade
sem prazo sem consulta sem provocação
até o limite das folhas caídas na hora de cair.
Antecipaste a hora.
Teu ponteiro enlouqueceu,
enlouquecendo nossas horas.
Que poderias ter feito de mais grave
do que o ato sem continuação, o ato em si,
o ato que não ousamos nem sabemos ousar
porque depois dele não há nada?
Tenho razão para sentir saudade de ti,
de nossa convivência em falas camaradas,
simples apertar de mãos, nem isso, voz
modulando sílabas conhecidas e banais
que eram sempre certeza e segurança.
Sim, tenho saudades.
Sim, acuso-te porque fizeste
o não previsto nas leis da amizade e da natureza
nem nos deixaste sequer o direito de indagar
porque o fizeste, porque te foste.
Carlos Drummond de Andrade
Aos poucos que aqui sentiram a minha falta, aos que distantes recordaram-se de mim. Àqueles que na pressa, esqueci. Aos de todo dia, que por rotina, não vi ou negligenciei. Aos do peito e de sangue, da mesa e da roda, do coração: estou aqui! Penso em todos e ai! Esqueço de mim. Que partilha mais desastrada, quando vejo… já sumi. Meses de silêncio, num luto amargo, por vezes o amargor até me dariam doces linhas. Mas nem em pensamento. Agonia, agonia!
A saudade é maior para aquele que tem que partir, pois duas vezes sofre: por ir e por saber da saudade que outros irão sentir. Minha partida foi súbita, sem despedidas, sem avisos, nem bilhetes. Tão de repente também é meu regresso! E volto sedenta, querendo recuperar o tempo ausente, diminuir o vácuo entre o passado-presente! E esses poucos dias de novo ano me inspiram em querer renovar um pacto. De aqui escrever pensamentos, crônicas, textos, poesias e aliviar meu peito.
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Coração Infeccionado
27 08 2009MÁGOA DA RAIVA
MACHUCA MAIS
QUE FERIDA ABERTA
QUE SANGRIA DESATADA
UM ATO FURIOSO
MUDO
UM ESTAMPIDO
SURDO
QUISERA A RAIVA
TER PODER
DE VOZ
DESENVOLVER
ATÉ DISSIPAR
RAIVA SEM LUGAR
NEM DOCE
NEM AMARGO
LAR
INFLAMANDO
INFLAMANDO
INFLAMANDO
SEM CONTINÊNCIA
PERDENDO RESPEITO
ADMIRAÇÃO
FAGOCITANDO TUDO
ATÉ SOBRAR
PURO
UM PUS
DE ÓDIO
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Saudade II
3 08 2009SAUDADE
Saudade é um pouco como fome.
Só passa quando se come a presença.
Mas às vezes a saudade é tão profunda
que a presença é pouco:
quer-se absorver a outra pessoa toda.
Essa vontade de um ser o outro
para uma unificação inteira
é um dos sentimentos mais urgentes
que se tem na vida.
Clarice Lispector

Quero me retratar com a saudade, não continuo, preferindo sentir falta a saudades, contudo não há de se negar, nem sonegar, seu devido valor. Quero me retratar com a saudade, deixar que venha, quando for preciso, uma visita de um parente distante. Nos surpreende e embaraça. Ao mesmo tempo que sentimos que faz parte, não temos intimidade, nem temos aquela familiaridade que se perde quando não se convive. Se a saudade quiser, dou-lhe hospedagem.
Como não sou íntima da saudade, não me aprofundo, temos um diálogo superficial, falamos da chuva fora de época dessas semanas, contamos amenidades do cotidiano acompanhadas de breves comentários dispensáveis e depois de poucas horas finda o assunto. Domina o silêncio, olhamos para o nada. A presença causa incômodo, desconserta. E então aquela hóspede carismática, que parecia tão inofensiva, se transforma.
Então entendo porque a saudade não é bem vinda. Quero despachá-la logo, xô, xô, xô! Tem uma exigência inflexível, intolerante. Nada basta, nada basta! Não se pode contentá-la, que dirá satisfazê-la! Não… Cadê aquilo que me pede? Tem vontades extravagantes. E no fundo… O que mais desejo é agradá-la, mesmo que sua vontade seja odiosa, quero me retratar com a saudade.
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AmorRábico
27 07 2009Entre as tartáreas forjas, sempre acesas,
Jaz aos pés do tremendo, estígio nume,
O carrancudo, o rábido Ciúme,
Ensanguentadas as corruptas presas.
Traçando o plano de cruéis empresas,
Fervendo em ondas de sulfúreo lume,
Vibra das fauces o letal cardume
De hórridos males, de hórridas tristezas.
Pelas terríveis Fúrias instigado,
Lá sai do Inferno, e para mim se avança
O negro monstro, de áspides toucado.
Olhos em brasa de revés me lança;
Oh dor! Oh raiva! Oh morte!… Ei-lo a meu lado
Ferrando as garras na vipérea trança.
Bocage
Ela estava disposta a pôr tudo a perder, prestes a jogar no abismo da desconfiança sua última gota de certeza. Seus olhos gritavam, tinha um aspecto baço e todo azul se escondia na chama cinzenta de seus ciúmes. E bastava saber que ele a desejava, que só de vê-la o sangue esquentava, ao beijá-la já gemia? Não, sabia que qualquer mulher, vulgar que fosse, tinha capacidade para conseguir o gozo, mesmo que efêmero e logo desaparecesse qualquer vestígio de apetite para voltar a comê-la. Que adiantava ter provações de que ele a amava, demonstrando seu afeto que até mesmo desconhecidos não duvidavam de seus sentimentos? A ela nada importava se lhe dava flores, nem mesmo se comovia com a idéia da proposta de casamento, da relação sólida, dos planos de formar família. Ele teria capacidade de amar muitas outras pessoas, simultaneamente.
Não queria possuí-lo única e exclusivamente, não esperava dele mais do que respeito. Sua despretensão era tanta que não sentia apego, ficaria muito feliz se ele encontrasse outra que o completasse mais, com mais afinidades, com menos descompassos. Foi causalidade estarem juntos, nem sequer houve conquista, bastou se conhecerem e decidiram ficar juntos, irem levando. Nada foi oficializado, de repente perceberam que estavam mais de um ano juntos. Convenções. É verdade. Certas convenções preparam o solo, fundamentam ações posteriores. Bobagens! Ah sim, mas paira sempre a dúvida, isto é sério, é para valer, ou somos apenas um caso que deu certo? Não era esse o motivo. Não, não, o ciúme foi inoculado por algo muito mais peçonhento, recalcado e amalgamado, praticamente sem antídoto.
Sua personalidade serena, sua postura intrépida e seu sorriso sem intenções destoavam dos olhos marejados, da garganta entrecortada, do corpo retesado. Continha-se, sabia que esse sentimento era desmedido, e talvez infundado. Cada vez que reprimia seu afeto ou seu ciúme, maior ficava este último, tornava-se cada vez mais hostil, qualquer assunto era tratado impacientemente, com ares de deboche. Quanto mais controlada parecia, mais acometida e intolerante se tornava. Até que extrapolou seus próprios limites e amargou no próprio ciúme. A tolerância estava por um fio.
Sua paciência era descomunal, poderia amá-la mesmo que arrancasse os cabelos pela fúria, aturaria até cenas dramáticas em público com um leve sorriso, achando certa graça. Ele estava mergulhado nela, sentia-se vivo com as palpitações de seu coração descontrolado. É verdade, com alguma perversidade provocava situações, alfinetava aquele corpo, percebia sua pele enrubescer, sua concentração vacilar, seus olhos brilharem de ira e desconforto, sentia um prazer sádico de vê-la tentar se desvencilhar dos próprios sentimentos. Com o passar dos anos, sentiu-se desgraçado, concluiu que perdia o amor e detinha um acúmulo de mágoas, imbuído em descontentamento e decepção, na desrazão do sofrimento e da amargura.
Restava no fim um relacionamento mantido com elos de culpa e laços de conveniências. Não tinham construído nada em que pudessem agarrar e erguer como benefício, que tivessem orgulho. Olhava para ela ressentido de si, via-a como simulacro de suas ambições irrealizadas. Porém, ainda não era tudo só desesperança, debaixo dos escombros que se tornaram sobrevivia uma ternura que arfava. Fantasiava que essa exígua ternura, enfraquecida, arcaica, quase bestial pudesse edificar-se no amor incondicional, na fala doce, no olhar terno, no gesto comovido. Esperava ensinar o coração com o intelecto e esse foi seu maior engano.
Leu Werther, de Goethe, Machado da Assis, Balzac, Álvares de Azevedo, Vinicius de Moraes e tantos outros, queria transformar o tormento em intensidade, motivava-se com as narrativas a ser impulsivo, forçando entusiasmos, mascarando o cansaço e a debilidade. Não indagava a validade de seu esforço, lutava já vencido e ainda que vencesse estava derrotado. Duvidava que pudesse remediar, mas insistia em reagir.
A sua ingenuidade foi crer que podia substituir sua maior deficiência com o ciúme, este crescia dominando sua segurança e sua impavidez. Aquele ímpeto se descontrolou a ponto de não mais se estancar, deixando um rastro revolto. Ele se alastrou, tornou-a dúbia. Passiva de seu sentimento iludia-se com a idéia do relacionamento passional, que tudo devora (não tinha noção que ele também tudo destrói), com o qual a impetuosidade envolveria os dois.
Sua maior dificuldade era de exprimir seus sentimentos, por mais certos que fossem e quanto mais contidos ficavam mais cresciam, maior era o amor por ele. As proporções já não se continham consigo, encontrou nas crises de ciúme seu escape. Na crença de ter assim resolvido sua angústia deu a ele liberdade incondicional de se manifestar, não avaliava se era pertinente, se havia motivo, tudo por acreditar ser seu ciúme sinônimo do seu amor. Afinal, cometeu um erro banal de sintaxe, trocou os códigos.
Ele nunca a repreendeu, as discussões e brigas não tinham o ciúme como causa, pelo contrário, seus disparates eram recebidos por ele com sorrisos, como se desfrutasse de um gozo. Isso se tornou um ciclo vicioso onde um deliciava-se com a evasão do tormento do outro, até perderem-se no próprio turbilhão que engendraram. Ela estava desolada e ele, cego por um prazer perverso, notou seu engano quando tudo já estava arruinado.
Ela suportaria tudo, seu amor a tudo renunciava inclusive ao seu amor próprio. Sua natureza não era autodestrutiva, ela apenas tinha uma força imensa, qualquer dor indicava alguma forma de superação. Sentia-se desamparada, no abandono, onde apenas os monstros que criou faziam-lhe companhia. Ele estava cada vez mais distante. Estava cada vez menos interessado nela e nas suas alternâncias de humor. Não sorria mais, tornou-se menos afável, mais arredio. Tudo o que lhe interessava eram coisas que ela não podia oferecer. Indiretamente ele demonstrava, a cada interesse do seu desvio, o quão inútil eram seus esforços. De nada valia ser uma mulher inteligente, interessante, com a qual se deseja amanhecer todos os dias. A disputa era injusta.
Nem mesmo a maior de suas qualidades estava à altura. Pudesse ser apenas uma mulher comum, ignóbil com um belo par de seios ou uma bunda empinada. Não se importaria. Fosse uma paixão avassaladora, intensa e desestruturante. Sentiria até conforto. Até um homem em seu lugar via com certo alívio, ao menos era algo que não podia oferecer, mas não, aquele homem mantinha-se fielmente ao seu lado e ainda assim não podia ser concorrência mais desleal! Estava em pânico, não restava nenhuma saída, nenhuma medida de urgência, até mesmo suas súplicas eram inválidas.
Onde tudo é vão, o que resta é o nada, e onde de nada tudo vale, na desilusão infundada, num niilismo sem perspectivas, nenhuma ação desesperada tem medida. Sua cólera foi descarregada de uma só vez. Ou era isso ou o abismo. Abriu bruscamente a porta do quarto onde ele mantinha-se trancafiado a horas. Num descontrole histérico explodiu em um sem números de acusações, gritava esganiçado, chorava e cada palavra sofrida era dita entre os dentes cerrados. Ele não entendia uma só sílaba, prostrou a sua frente e deixou ser alvejado pela violência contida que por fim ebuliu. Ela fervia, espumava de ódio, ainda mais porque via que ele mantinha-se sereno, sabia que esperava aquilo tudo acabar e retomar tudo como se nada houvesse!
Foi a gota d’água. Não agüentava mais ouvir de Ursula, Carlota, Capitu, Maria Lúcia, Lucrécia, Ofélia, Catarina, Virgínia, Helena e tantas outras que nem mais sabia dizer seus nomes. Que ela podia frente àquelas deusas, imortalizadas, veneráveis que nem mesmo seus criadores puderam apagar? Como podia ela não se desesperar ao perceber que perdia o homem que amava para aquelas formas perfeitas? Ela era apenas um ser rude, tosco, sem a elegância e solidez que só os anos oferecem. Se o relacionamento acabasse naquele momento, ele a esqueceria em alguns meses. Mas elas, essas nunca! São inesquecíveis, são saborosas, não importa quantas vezes se repita.
E o que ela faria sem ele? Que seria de seu destino, se nem mesmo ele que a amava na sua pior forma, que conseguia ver beleza na sua personalidade bruta, que a desejava e a criou não considerasse tantos anos e tantas histórias, que seria dela afinal? Invejava aquelas outras, que não tiveram um homem fraco, covarde e desistente. Pois elas eram imortais pela perseverança deles, não havia dúvida! Nenhum sofrimento era maior que o tormento de pensar sua vida sem ele. Estaria fadada à inexistência.
Depois de muitos anos, depois da paixão na época da faculdade, dos momentos tempestuosos do início da vida adulta, após a grande frustração de sua vida, resolveu afinal, por fim àquela história toda. Ela á não lhe dizia nada, era vazia, desinteressante. Sentia-se ridículo na roda de amigos, para quê manter tanta lealdade à Loucura, por que ser fiel, deixar passar os melhores anos. Perdeu completamente o sentido, nem amor mais existia, nem ternura, tudo se resumia a desprezo e vergonha. Restou apenas no seu inconsciente a idéia romântica de sua história.
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ESTATE
24 07 2009Estate sei calda come i baci che ho perduto
sei piena di un amore che è passato
che il cuore mio vorrebbe cancellare

Estate il sole che ogni giorno ci scaldava
che splendidi tramonti dipingeva
adesso brucia solo con furore

Tornerà un altro inverno
cadranno mille petali di rose
la neve coprirà tutte le cose
e forse un po’ di pace tornerà

Estate che hai dato il tuo profumo ad ogni fiore
l’estate che ha creato il nostro amore
per farmi poi morire di dolore
Fotos: Tania Knapp
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SAUDADE – I
21 07 2009Saudade
Saudade é solidão acompanhada,
é quando o amor ainda não foi embora,
mas o amado já…
Saudade é amar um passado que ainda não passou,
é recusar um presente que nos machuca,
é não ver o futuro que nos convida…
Saudade é sentir que existe o que não existe mais…
Saudade é o inferno dos que perderam,
é a dor dos que ficaram para trás,
é o gosto de morte na boca dos que continuam…
Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade:
aquela que nunca amou.
E esse é o maior dos sofrimentos:
não ter por quem sentir saudades,
passar pela vida e não viver.
O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido.
Pablo Neruda

Prefiro, sempre dizer aos que amo que sinto falta, ao invés de dizer saudades. Saudade me pesa, me é indigesta. Disse minha vó, num gesto espontâneo associativo, que saudade é solidão. Sente saudade, por se sentir só, porque só o que passou preenche o vazio do agora. É fazer da lembrança alimento do porvir.
Aceitei o convite do futuro, tratei das feridas passadas e presentes e isto não foi um alívio, não diluiu o bloco denso, é que velar não significa esquecer, enterrar não implica em apagar.
Verdade seja dita, não sinto saudades, que entendo ser uma nostalgia, com melancolia e descrença. O que sinto é motivação, esperança! Não, não pode ser saudades. É um sentir falta, saber que passou, manter na memória a sensação, a vivência.
Não desejo saudade, nem mesmo as lembranças que ela contém, ficou um gosto de doce, que só a vó fazia. O doce só tem gosto especial pela memória construída, se comer de novo, perde a graça. Sigo sentindo falta do doce presente, recupero logo o apetite.
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Categorias : definições, doces, dúvidas, literatura, poesia
Ständig kurz
19 07 2009
Schade, es war zu kurz!
seufend voller Glück… und ganz leicht wie Luft!
so glücklich, wenn ich dich seh’
ständig wächst
der Wunsch
die Lust
das Gefühl
die Ruhe
sie ist nicht fade, nein!
entdeckt es jenseits
der Intensität, der Leidenschaft
atmen ohne Bemühung
lächeln gerne
kurz aber docht nicht bald
schön leicht knapp
ständig
Wäre noch dauerhaft!
Versão alemã, de “Breve contínuo” ambos de minha autoria. Ambos dedicados a leveza e tranquilidade dos tempos breves… Agora com trilha sonora!
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Climatério
16 07 2009
Não sou mais outono
com o vento o tempo
me deixou
leve – levou
Não abrigo mais inverno
da noite que passou
do beijo marcado
da volúpia estúpida
não me esfriam – acabou, acabou!
A intensidade
curo com gesto terno
Nenhum sentimento primaveril
desabrocha mais
ficou depois de histérico
estéril
Não confio mais em seu chão pueril
sem cultura fértil
Aquele verão que fui
que voraz escaldou
a nós dois
eu e os cacos – aqueles que podiam ser você
Aquela sofreguidão
que se fez invólucro
enodou
Este quiste durou
verão
outono
inverno
Desembaraço feito
na aurora do tempo
Sorrio, enfim estio.
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